mundo perdido
os primeiros dinossauros do cinema
A simples ideia da existência de lagartos gigantes, no caso os dinossauros, ainda encantava as pessoas quando essas criaturas pré-históricas ganhavam vida nas telas de cinema no clássico de aventura O Mundo Perdido (1925).
Tudo começou com o gênio da animação chamado Willis O’Brien, responsável pelos efeitos visuais de O Mundo Perdido, considerado pioneiro na técnica do stop motion.
Tal fascínio, na verdade, só aumentaria nas décadas seguintes, resultando em dezenas de filmes sobre esses animais gigantes, às vezes recriando com certa fidelidade essas feras pré-históricas e, em outras, partindo totalmente para o mundo da imaginação, usando os dinossauros apenas como inspiração.
O’Brien combinou o seu talento artístico como desenhista e escultor com paciência e dedicação, passando horas e horas intermináveis para dar vida a modelos de dinossauros de argila.
O filme, adaptado do livro de mesmo nome escrito por Arthur Conan Doyle, encantou as plateias entusiasmadas e assombradas pela novidade. Entre os maiores admiradores estava o próprio Arthur Conan, que usou trechos do filme para mostrar aos seus amigos, entre eles o mágico Houdini.
O filme, porém, pode ser considerado um tanto quanto primitivo em parte devido aos esforços tremendos que se exigiam na realização de cenas animadas nessa técnica. O’Brien, porém, mostraria toda sua capacidade poucos anos depois, quando O Mundo Perdido foi praticamente refilmado em versão sonora naquele que viria a se tornar uma das maiores obras do cinema: o clássico King Kong (1933).
King Kong e O Mundo Perdido continuaram influenciando muitas gerações de realizadores, mas nenhum foi tão importante quanto Ray Harryhausen, discípulo de O’Brien e considerado o maior gênio do stop motion.
Harryhausen ficou conhecido pelas criaturas fantásticas presentes em filmes como Simbad e a Princesa (1958), As Novas Viagens de Simbad (1973), Simbad e o Olho do Tigre (1977) e Fúria de Titãs (1981), além de Jasão e o Velo de Ouro (1963), com sua inesquecível batalha de esqueletos.
Mas Harryhausen também animou dinossauros nas telas, incluindo as diversas espécies que aparecem em O Vale de Gwangi (1969), numa inusitada combinação de répteis gigantes no velho oeste.
Quando Steven Spielberg decidiu fazer seu próprio filme de dinossauros, toda essa tradição do stop motion e dos efeitos especiais clássicos acabaria influenciando diretamente a criação de Jurassic Park (1993), filme que revolucionaria novamente a forma como os dinossauros eram vistos no cinema.